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A sustentabilidade está deixando de ser moda e iniciativas em prol do meio ambiente feitas ou divulgadas por empresas de diversos setores do mundo ganham importância e cada vez mais espaço no varejo. O contato direto com o consumidor faz com que as empresas tenham que mostrar, na prática, o que estão fazendo para preservar o planeta. De estabelecimentos sustentáveis a ações de reciclagem na loja, o mercado varejista se mostra preparado para reverter o quadro de desconfiança dos consumidores em relação a ações sustentáveis de empresas do Brasil. Carrefour, Grupo Pão de Açúcar e Wal-Mart são os principais players do varejo que estão investindo na causa verde com estruturas sustentáveis que servirão de exemplo e modelo para o mercado. Além das tradicionais companhias do setor, outras empresas desenvolvem projetos que ajudarão a preservar o meio ambiente, como os carrinhos de compra fabricados à base de nylon e plástico reciclável e notas fiscais eletrônicas. O Grupo Pão de Açúcar também está engajado na causa e já colhe os frutos financeiros de uma loja verde inaugurada no meio do ano em São Paulo. Na mesma linha se encontra o McDonald´s. A rede de fast food lançará ainda este mês o primeiro restaurante verde da América Latina. Com este cenário, é possível acreditar que, de fato, as empresas estão buscando alternativas sustentáveis para o bem da natureza e da humanidade? Ponto-de-venda verde O Wal-Mart inaugurou o primeiro hipermercado ecoeficiente no Brasil, como mais uma iniciativa do seu programa de sustentabilidade mundial. Há três anos, a rede varejista possui iniciativas sustentáveis que são implementadas nas lojas, porém o ponto-de-venda Campinho reunirá o maior número delas. Além dos PDVs, a companhia prevê parcerias com fornecedores a fim de reduzir embalagens, engajar os funcionários, oferecer informação e produtos orgânicos aos clientes, além de programas de reciclagem. Mesmo sem uma loja na Amazônia, o Wal-Mart desenvolve um programa de preservação da floresta nacional do Amapá, em parceria com a ONG Conservação Internacional. Em março deste ano o Grupo Pão de Açúcar lançou o Caixa Verde, que consiste em reciclagem pré-consumo, ou seja, os clientes podem deixar a embalagem de papel, plástico ou papelão de um produto no Caixa Verde para reciclagem no momento da compra. “Esta ação agradou o público e ganhou espaço em mais 20 supermercados da rede em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba”, aponta Paulo Pompilio (foto), Diretor de Responsabilidade Socioambiental do Grupo Pão de Açúcar. Reciclagem e gás natural como energia Uma das empresas que contribuíram para a elaboração do supermercado verde do Grupo Pão de Açúcar foi a Sustentax, que desenvolveu o projeto de energia sustentável para o Grupo. De acordo com o Presidente da empresa, Newton Figueiredo, a geração de energia a base de gás natural em empreendimentos comerciais ajuda a reduzir gastos e aumentar a eficiência energética. “Em alguns casos pode ser melhor para uma companhia gerar a sua própria energia, ao invés de comprá-la. A primeira central de energia à base de gás natural que instalamos foi no Hotel Renascence, em São Paulo”, explica Figueiredo. A reciclagem de papel é uma das medidas que mais crescem nas empresas de varejo e a rede Carrefour integra a lista com programas em todas as unidades no Brasil, com objetivo de reduzir o consumo de 38 milhões de folhas de papel A4 por ano. “Desde abril de 2007 todas as impressoras da matriz e das lojas são abastecidas com papel reciclado. Só no ano passado reduzimos em 65.505 kg a quantidade de CO2, preservamos mais de mil árvores, além de economizarmos mais de dois milhões de litros de água”, informa Paulo Pianez, Diretor de Sustentabilidade do Carrefour Brasil. Para envolver os consumidores em suas ações sustentáveis, as lojas do Carrefour em Ribeirão Preto (SP) recebem do consumidor quatro litros de óleo vegetal usado, em troca de um litro de óleo novo. Nesta ação, o óleo doado é transformado em biodiesel. Só no ano passado foram coletados cerca de oito mil litros de óleo de cozinha. Carros de plástico e sacolas verdes Com a crescente preocupação dos consumidores com o meio ambiente, alternativas sustentáveis podem ganhar destaque num futuro próximo também pela economia de verba, como é o caso da Masterplastic, empresa que trouxe da Europa carrinhos de compra feitos à base de plástico reciclável e nylon. Diferente dos tradicionais fabricados com ferro, o produto da Masterplastic não sofre oxidação, é de fácil manutenção e os danos podem ser reparados com maior rapidez. Atualmente o carrinho da Masterplastic pode ser encontrado em redes de varejo do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. “Este trabalho requer mudança de conceito e isto é um processo delicado. Estamos introduzindo aos poucos no mercado brasileiro”, diz Venceslau Salmeron, Diretor Comercial da empresa em entrevista ao Mundo do Marketing.   De acordo com Salmeron, o plástico que serve de matéria prima para o carrinho é completamente reciclável e o varejista pode obter desconto ao entregar o produto danificado em troca de um novo. Além do carrinho de compra começar a adquirir características verdes, as sacolas de plástico estão perdendo espaço no varejo. Desenvolvida pela Realcenter, as eco-bags - que poderão substituir as atuais de plástico - são fabricadas com garrafas PET recicladas. As eco-bags estão em circulação no varejo da região Sul do Brasil após a empresa oferecer a sacola aos participantes de uma feira de negócios. “O produto ganhou visibilidade internacional porque oferecemos aos participantes de forma promocional em um evento para indústrias. Porém, não temos planos de expandir para o exterior ainda”, avalia Marcos Izidoro, Coordenador de Marketing da Realcenter. Papel e notas digitais Referência em consumo, o McDonald’s também aderiu à sustentabilidade e inaugura ainda este ano um restaurante sustentável em São Paulo. O estabelecimento seguirá projetos de uso racional de água, energia elétrica e matéria-prima. A redução de aproximadamente 14% do consumo de energia e de 50% no de água potável do restaurante resulta na melhor das ofertas oferecidas pela rede no quesito sustentabilidade. De olho no projeto de lei do Governo que obriga empresas a adotarem a nota fiscal eletrônica até o fim de 2010, a NeoGrid já desenvolve este serviço para empresas do Brasil. Por enquanto, a nota fiscal eletrônica está sendo usada em transações B2B. “Normalmente o custo de emissão por nota fiscal de papel é em torno de R$ 4,00. A nota eletrônica custa menos de R$ 1,00. Dependendo da empresa, a economia total pode ser de mais de 50%. Uma empresa que emite notas com três ou quatro vias poderá concentrar todas elas em apenas uma folha gerando uma redução de 80 a 90% na emissão de papel”, explica o Diretor-executivo da NeoGrid, Wellington Machado. Mudando conceitos e opiniões Com tantas estratégias e posicionamentos favoráveis à preservação do meio ambiente, é possível crer que os consumidores poderão mudar de opinião quanto ao comprometimento das empresas com a causa verde. Porém, Solitaire Townsend, co-fundadora da Futerra, agência internacional de comunicação focada em sustentabilidade, afirma que esta conscientização levará mais tempo do que se imagina. “Os consumidores sempre terão uma expectativa maior em relação ao comportamento das empresas do que elas realmente podem atingir. Nenhum de nós está fazendo o suficiente pelo meio ambiente, se levarmos em conta os desafios que precisamos enfrentar”, afirma a executiva inglesa em entrevista ao Mundo do Marketing. Apesar da demora para que as pessoas acreditem no posicionamento sustentável de companhias no Brasil, é preciso que as empresas envolvidas com a causa se comuniquem com o consumidor sobre impactos materiais causados por ela no meio ambiente e comece a fazer algo para reduzir os efeitos. “O que as empresas não podem fazer é maquiar o problema com outras ações sustentáveis que não resolverão o problema causado”, completa Solitaire. Fonte:Mundo do Marketing, Thiago Terra

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